sábado, 9 de maio de 2009
NO LEITO
Juntam-se a lágrimas
E risos incontidos e contidos.
Palavras de fé confortam,
Trazem esperança e perseverança,
Por vezes palavras de luz contrastam
Com a escuridão da dor.
Dores que passam pela alma de raspão,
Amolecem o mais rijo coração.
Em meio a um turbilhão de sentimentos,
Deus, uma mão invisível que toca
N’alma, transpassa o intransponível,
Esclarece o impossível.
O FIM
A noite terminou,
O sino
Tocou,
O mundo
Parou,
A cabeça
Coçou,
O estômago
Roncou,
A chuva
Parou,
O trovão
Não soou,
O riso
Inundou o rio,
O rio
Transbordou,
O sonho
Acabou,
A página
Virou,
A vida
Mudou.
quarta-feira, 25 de março de 2009
EU E DRUMMOND
Eu e Drummond
dia desses nos encontramos,
conversamos horas,
sobre nada e sobre tudo,
sobre o mundo
e sobre a vida no mundo.
Calado, como não costumo ser,
ouvi os pensamentos
transformados em palavras,
que saiam devagarzinho
de sua boca.
Com leveza e poesia
ia dizendo um livro
de palavras milimetricamente
organizadas,
doces,
duras,
amargas,
alegres e secretas,
jamais as revelarei...
Enquanto ele falava calmamente
eu derramava mil lágrimas ao chão,
batia em minha própria face,
por várias vezes bati a cabeça contra a parede.
Tão ignorante e estúpido sou,
quão insignificantes são meus pensamentos
em face aos dele,
pensei: Se Drummond
não mudou o mundo,
eu por acaso o mudarei?
Fabrício Costa.
Fonte: youtube
Endereço: http://www.youtube.com/watch?v=NGqCfPQnzXU
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
SONO DA PAZ
Quero dormir
E não mais ouvir
As atrocidades do mundo,
Nem mais me ferir.
Quero deixar o sono
Conduzir meus pensamentos,
Levar-me para longe,
Comigo fugir.
Na aurora do dia,
Mesmo que seja
Um quente dia,
Quero dormir.
Quero não parecer
Descrente ou prepotente,
Quero sentir o sabor do sonho
Na ponta da língua.
Degustar também
As lágrimas
E os bocejos,
Da forma que desejo.
Fabrício Costa.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
BREVE DEVANEIO
Eu não resolvi nem decidi fazer diferente do que costumo fazer nesse blogger, não sei o gênero literário do que pretendo escrever... Que se foda os gêneros, quero apenas soltar palavras... São 00h15min, estou sozinho e veja quanto já escrevi! Estou me sentindo feliz e incompleto nesses últimos dias de 2008, talvez esse ano tenha sido muito mais do que eu esperava... Sim ele foi! Foi um ano e tanto, sem dúvida uma vida poética pouco e muito produtiva, relacionamentos ruins e bons, alguns cheios de nada e vazios de tudo, amigos próximos e distantes, inseguranças...
2008 começou com doença e logo Deus providenciou espaço à cura, depois da cura veio uma maré mansa e tudo se resolveu e se desestruturou com tanta calma e rapidez que foi difícil acreditar nas loucuras que aconteceram. Das muitas dores vieram lições de vida e amadurecimento, dos muitos tombos; levantes e crescimentos sem igual, planos fervilhando em turbilhões de idéias e no fim, tudo foi bom!
Que venha 2009 com mais saúde e sucesso, que o amor cresça, amadureça, resplandeça e não desapareça e que a sede de ser eu seja saciada por mim mesmo sem medos e restrições.
Fabrício Costa.
POESIA NOVA NA POSTAGEM ABAIXO.
VIDA
sofri tanto,
alegrei-me tanto,
que para meu espanto,
esgotei meu pranto e
estoquei felicidades
nos porões de minha alma.
Voei por entre as
flechas envenenadas
de Cupido,
deixei-me acertar
por muitas delas,
entreguei - me
aos efeitos alucinógenos
de seus venenos amorosos.
Beijei a boca de Afrodite,
sai das garras da Medusa,
lutei ao lado de Ares,
fiz loucuras com Baco e
dancei ao som da harpa
de Orfeu.
Em noites de chuva
chorei tristezas e solidões.
Deixei-me alegrar com
consolos e carinhos de
dona Geralda e ela sendo
a melhor mãe esqueceu
suas tristezas e as
trocou por tristezas minhas.
Curei doenças quando
acreditei no poder de seus chás.
Quanto ela rezou,
o fez em dobro,
pois me conhece bem,
sabe que sou menino
de poucas rezas,
então,
rezou por mim.
Vivi e vivo a vida a meu modo,
e assim viverei sempre e
enquanto viver,
remonto e reescrevo tudo
todos os dias,
faço isso porque sou vivo,
estou vivo e vivo.
Fiz tudo que se pode fazer
e tudo que não se faz.
Não me lembro de ter deixado
nada para trás.
Não tenho cacos ao chão
para juntar.
Tudo que conheço
foi e não foi intencional,
sou quem vive ao acaso.
A contradição é minha
amiga de infância.
Fui chamado de louco,
anormal,
pervertido sexual,
pirado e até de retardado,
mas posso ser amado,
deixar Ares de lado,
transar com Cupido,
viver um amor eterno com
Afrodite,
matar a Medusa,
posso ser herói!
Posso ser quem for!
Que nunca deixarei de ser
esse louco que sou!
Fabrício Costa.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
HÁ DIAS

Com suas inúmeras riquezas,
Faz-nos voltar ao passado e
Nos faz crianças, filhos de nós mesmos.
Há dias em que o novo faz passado, presente e futuro
Sem importância e os traduz em instantes iguais.
Há dias que fazem – nos passar entre amores e paixões,
Dias assim que tornam palavras complexas em fáceis confissões.
Há dias nublados em que a cor escura das nuvens
Encaixa-se perfeitamente na faixa de luz visível
Do espectro eletromagnético de nossas mentes.
Em dias assim vê-se nuvens sob os pés,
Nuvens coloridas que desprezam a crueza
Do branco, preto ou cinza.
Há dias em que nossos amores são tão eternos
E profundos que fazem dos olhos escravos de suas vontades
E de suas cores, coloridas cores.
Em dias de amores não existem tempestades.
Amenidades?
Rotina, cotidiano?
Quem são eles?
São eles os que se escondem covardes
Nos mais profundos abismos d’alma,
Alojam-se longe do pensamento apaixonado,
Pois há dias em que o amor se materializa
Do entardecer ao amanhecer,
E faz da escuridão... Luz.
Há dias em que o amor trás verdes tão intensos
Aos olhos que o amarelo das folhas secas
Das árvores tornam-se imperceptíveis.
Há dias que existem para o amor,
Para amar,
Mar,
Cores e ar,
E há dias que existem por existir,
Mas dias que existem por existir,
São dias apenas, neles poesia não há.
Fabrício Costa.
sábado, 2 de agosto de 2008
O MUNDO

Gira em giros
De girassóis,
O mundo e
Seus nós.
Nós no mundo,
Mundo de nós,
Mundo é mundo,
Porque, mundo é mudo.
Mundo é gente
E gente não gosta
De gente, mundo mente.
Mente não é inteligente.
Mundo gera e
As gerações são espontâneas,
Mundo cala e
Mundo é mudo.
Mundo geme e
Mundo treme,
Mundo espreme, mundo
Expeli, Mundo é creme.
Mundo não muda
E mundo muda
Mundo é absurdo
E mundo é mundo.
Fabrício Costa.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O NADA 3
Sua cabeça doeu intensamente a ponto de fazê-lo pensar que o momento que tanto temia havia chegado. Doença. Pensou em ir a um hospital, mas lhe aconselharam a descansar em casa, estava muito estressado, era evidente, aceitou que de fato seria melhor ir, e foi-se embora. Ao chegar a seu apartamento, a dor de cabeça era incontrolável, o trânsito esteve caótico naquela tarde e sua consciência pesava por não ter cumprido sua rotina. Ao abrir a porta avistou o sofá e a ele atirou-se em um sono que duraria até as 22 horas do sábado. Acordou sem a menor dor de cabeça e com o corpo totalmente revigorado, sentiu-se novo, e não quis pensar em nada a não ser sobre o nada. Daniel estava decidido a pensar uma mudança de rumo para sua vida, e pensou. No momento em que começou a pensar estava em transe pelas longas horas de sono que havia dormido, tinha a sensação de ter experimentado ácido lisérgico pela segunda vez. Há quanto tempo havia abandonado a normalidade da loucura, seu defeito era ser normal demais para um louco, um ex-louco. Um dia fora louco, ainda era, mas escondia, a decisão de esconder a loucura era pelo seu conformismo. E Daniel pensou nisso, pensou o quanto era conformado com tudo e por nada, por tudo que era tão pouco, tudo que diziam muito, mas se resumia a um pequeno poema pós-moderno,
Acordar
Levantar
Andar
Comer
Mijar
Cagar
Lavar
Escovar
Respirar
Andar e
Comer
Não satisfazer
ler
Reler
Dormir
Sair
Cumprimentar
Despedir
Chegar
Pegar
Despir
Beijar
Despedir
Agarrar
Esfregar
Desamar
E novamente
Dormir e
Acordar.
Decidiu-se, estava à beira da janela e ouviu o cuco bater pela décima segunda vez. Meia noite. Hora dos mortos, como insistia em dizer sua avó. Boa hora, pensou. Quis conhecer o nada mais de perto e encontrou-o no chão da rua, que fazia frente a seu prédio, enquanto agonizava os últimos segundos de vida que ainda lhe restavam. Lembrou-se, antes de partir ,que um dia pensou que o nada não existe para quem pensa, e deixou de pensar, perdeu-se no nada e encontrou a paz.
Fabrício Costa.
Comentários do autor: " O nada pode se resumir a tudo, como disse o Beto, ou a nada, pois há além de tudo, vários nadas, e nada não forma nada, nada se resume a nada, mas o nada pode ser tudo, pode ser."
quarta-feira, 11 de junho de 2008
O NADA 2
Fabrício Costa.
